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Cepene esclarece riscos da exploração de petróleo na bacia potiguar

Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Marinha do Nordeste alerta para o risco de desastre ecológico atrelado à exploração de petróleo próxima a Fernando de Noronha

Foto: Bruna Roveri

As paisagens do arquipélago de Fernando de Noronha são mundialmente conhecidas e admiradas pelas suas belezas naturais. O que poucos sabem que elas compõem uma cordilheira submarina: a cadeia de Fernando de Noronha – hoje ameaçada pela oferta permanente da bacia potiguar para exploração e petróleo e gás.


Desde 2021 partes da área da cadeia de Fernando de Noronha estão sob perigo, por terem sido incluídas na 17ª rodada de licitação de blocos para exploração de petróleo e gás da Agência Nacional de Petróleo (ANP). Na época, um laudo feito pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) não recomendou tal inclusão pela proximidade e perigo às unidades de conservação de Fernando de Noronha e Atol das Rocas. Embora os laudos tenham sido ignorados e a área tenha ido a leilão, não houve interessados; mas a ameaça continua.


Para o analista ambiental do ICMBio e chefe do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Marinha do Nordeste (CEPENE), Leonardo Messias, "é um despropósito do ponto de vista da geologia a exploração de petróleo em áreas vulcânicas", como é o caso desses bancos oceânicos. O profissional explica que a exploração de petróleo envolve uma série de operações de risco, incluindo vazamento de óleo que "seria um desastre para esses ecossistemas e para as espécies dependentes para cumprir seus ciclos de vida e suas funções ecológicas no ambiente marinho". Além disso, também há prejuízos socioeconômicos para regiões que possuem atividades de turismo, como é o caso de Fernando de Noronha.


Cordilheira submarina


A cordilheira submarina a que pertence o arquipélago de Fernando de Noronha se estende por cerca de 1.300 km em linha paralela ao continente, ao norte dos Estados do Ceará e Rio Grande do Norte. Todo esse território abriga uma rica biodiversidade de espécies de fauna e flora marinha, incluindo algumas ameaçadas de extinção.


A região é composta por 14 formações geológicas com a maioria de seus topos submersos, como os bancos oceânicos de Sirius, Maracatu, Baião, Leste e Sueste. Destas estruturas, apenas duas estão acima da superfície do mar: as ilhas do arquipélago de Fernando de Noronha e o Atol das Rocas, ambas unidades de conservação.


O conhecimento em detalhe de toda essa riqueza natural foi possível através do Sassanga, que é um sistema remoto submarino de captura de vídeo, resultado de um trabalho que começou em 2012 em parceria entre o departamento de oceanografia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e do Cepene.


Mobilização permanente

Reprodução Youtube - Observatório do Clima

O insucesso do leilão de 2021, em partes, se deu pela pressão de organizações da sociedade civil e pela falta de dados sobre a importância e impacto dessa iniciativa. Por mais que não haja previsão de novas rodadas de leilão da área, atualmente, os blocos estão em oferta permanente, podendo ser comprados a qualquer momento, caso haja interessados.


Para o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Marinha do Nordeste (CEPENE), Leonardo Messias, é preciso continuar alertando as instituições reguladoras de petróleo e do meio ambiente e as empresas, do risco que é a exploração de petróleo nesses ambientes".


A atenção aos movimentos de venda dessas áreas para exploração de petróleo deve ser permanente, uma vez que podem gerar grandes impactos para a vida natural e das comunidades locais. Para isso, o analista ambiental ressalta a importância de espaços de organização social como o conselho das unidades de conservação, por se tratar de um "colegiado importante para discutir esses assuntos e encontrar as formas para se mobilizar e sensibilizar as instituições para realizar cada vez mais ações de proteção aos ecossistemas marinhos".


Saiba mais:


Desde 2017 é feito um levantamento da geobiodiversidade nos bancos oceânicos da cadeia submarina de Fernando de Noronha, pelo Departamento de Oceanografia da Universidade Federal de Pernambuco e o CEPENE/ICMBio. O trabalho tem o objetivo de identificar as áreas marinhas prioritárias para conservação, uma vez que existem poucas protegidas.


Um dos resultados do trabalho de levantamento de dados sobre os bancos oceânicos pode ser conferido no vídeo “Fernando de Noronha na mira da exploração de petróleo e gás”, clique aqui:


Por Sabrina Stieler - voluntária comunicação ICMBio Noronha





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