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  • Foto do escritorICMBio Noronha

ICMBio inicia restauração ecológica na Ilha Rata

Quinze dias iniciais foram dedicados à pesquisa para exterminação dos ratos. Projeto inclui também a recuperação da vegetação nativa.


Por Sabrina Stieler

O ICMBio Noronha, em parceria com a ONG Tríade - Instituto Brasileiro para Medicina da Conservação, está desenvolvendo um projeto que tem como objetivo principal a erradicação dos ratos na segunda maior Ilha do arquipélago de Fernando de Noronha, a Ilha Rata. A desratização, aliada a outras inciativas, vai favorecer a restauração ecológica no local; já que estes roedores são apontados como uma das principais ameaças ao equilíbrio ambiental na Ilha. O trabalho de campo começou em 25 de janeiro e durou 15 dias, com estudos para identificação dos hábitos dos ratos. Posteriormente, será aplicado um veneno em dosagem específica, que não afeta a vida de outros animais.

Nesta primeira etapa, foi iniciada a contagem de ratos em toda a Ilha. “Dividimos em três áreas diferentes: a arbórea, a de ninhal e a de campo. O que ajudará a entender as dinâmicas desses animais”, explica Taysa Rocha, da equipe de pesquisa do ICMBio Noronha.

A equipe envolvida instalou armadilhas para captura, identificação e soltura dos animais com o objetivo de rastreá-los e estimar a área onde o animal anda, e identificar os lugares onde o veneno deverá ser inserido. “A gente solta para saber em qual armadilha ele ficará preso. Por por exemplo: se o rato foi pego na armadilha 1 e depois na 2, eu sei que ele andou 20 metros; assim, a gente faz cálculos estatísticos para estimar a área que o animal anda. – explica a profissional.


Por que rato é um problema?


Duas espécies de ratos habitam a ilha de 75 hectares: o Rattus rattus, ou rato-preto, e o Rattus norvegicus, ou ratazana. Apesar de pequenos, esses ratos têm um grande potencial predatório e fazem grandes estragos à vida nativa. Eles comem vegetais, sementes, frutos e animais menores, como mabuias e até mesmo ovos de sebito e cocoruta, aves endêmicas de Fernando de Noronha. “O rato está entre os animais que mais causam impacto ambiental por terem um comportamento predatório de forragear, ou seja, roer praticamente tudo, desequilibrando a vida local”, explica Taysa.

O pesquisador sênior da Tríade, Paulo Mangini, é da mesma opinião e afirma que “onde há rato, há menos vida nativa”, e que diminuir ou exterminar com este animal na Ilha Rata é de extrema importância para que a fauna e a flora nativa e endêmica se estabeleçam no local.


Mesmo método aplicado na Ilha do Meio


O método escolhido para a desratização é o mesmo que foi aplicado em outra ilha do arquipélago, a Ilha do Meio, em 2017 e 2018. A ilha foi a primeira do Brasil a ter sucesso na eliminação dos roedores.

Segundo Mangini, o processo de desratização é complexo e envolve planejamento para evitar retrabalho e desperdício de recursos. “É necessário ter um planejamento técnico, logístico e financeiro, pois é uma ação que envolve alto custo e muitas pessoas para o trabalho. Para se ter uma ideia, a Ilha Rata é seis vezes maior que a Ilha do Meio e com diferentes relevos”, explica o pesquisador.


Em busca de parcerias

Além da retirada dos ratos da ilha, o objetivo final é restaurá-la para que volte a ser como era antes da entrada desses roedores. Para isso, o trabalho é realizado de forma integrada levando em consideração a vida nativa do local. “Não basta somente tirar o rato de lá, precisamos entender como a fauna e a flora se comportam após a retirada e planejar conjuntamente a restauração dessas áreas”, afirma Paulo.

Além da retirada dos ratos, esta planejado para ser executado em conjunto, o manejo das plantas exóticas, como a Leucena e o Chumbinho. Em uma próxima fase, será feito o levantamento das plantas da ilha, tanto nativas como exóticas, visando a comparação do impacto dos ratos também na flora.

Para a continuação das ações, ainda é necessário captação de recursos. “Buscamos parceiros que queiram abraçar a ideia de restauração ecológica na Ilha Rata e possam contribuir financeiramente com o trabalho”, ressalta Ricardo Araújo, coordenador de pesquisa do ICMBio Noronha.


Fotos: Julia Luz




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